Ayres Westin Advogados

Governança, finanças e talentos como pilares das empresas familiares

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Em empresas familiares, a gestão eficiente e harmoniosa das relações internas, aliada a decisões estratégicas bem estruturadas, é fundamental para garantir a sustentabilidade e o crescimento no longo prazo. Segundo o Family Business Governance Handbook (IFC/World Bank Group, 2008), apenas 30% das empresas familiares sobrevivem até a segunda geração, caindo para cerca de 5% a 15% na terceira — o que evidencia que a ausência de processos definidos e mecanismos de organização compromete a continuidade do negócio.

Entre as respostas mais eficazes está a chamada governança familiar, entendida como o conjunto de práticas e estruturas voltadas à gestão das relações e atividades que envolvem família e empresa. Ela abrange a organização e a coordenação entre os membros da família envolvidos no negócio e pode se materializar em órgãos específicos, como o Conselho Familiar, instância de diálogo da família proprietária que define princípios, regras e diretrizes para a relação família‑empresa e para temas como sucessão e participação de membros no negócio, garantindo harmonia, transparência e eficiência na administração.

A adoção dessas práticas traz reflexos concretos. Em primeiro lugar, contribui para prevenir e resolver conflitos e impasses internos por meio de regras claras — como nas disputas sucessórias, divergências sobre o rumo do negócio ou na contenção de interferências pessoais nas decisões empresariais. Em segundo lugar, uma estrutura de governança bem definida permite direcionar esforços para estratégias de longo prazo e para o desenvolvimento sustentável, assegurando crescimento mais robusto e planejado.

Além de um arranjo de governança consistente, outros fatores que diferenciam empresas familiares bem-sucedidas são a diversificação de portfólio, a valorização de talentos e a visão estratégica de longo prazo. Da mesma forma, a diversificação das fontes de receita — inclusive para além do negócio principal — fortalece a estabilidade financeira e amplia oportunidades de crescimento.

Outro desafio decisivo está na atração, retenção e desenvolvimento de talentos, familiares ou não. Muitas vezes, a influência de vínculos pessoais na gestão e a falta de políticas estruturadas de recursos humanos comprometem a profissionalização e dificultam o avanço do negócio. Afinal, colaboradores qualificados impulsionam a inovação, fortalecem a cultura organizacional e geram vantagens competitivas sustentáveis no longo prazo, especialmente quando esse investimento se integra a um modelo de governança maduro.

Portanto, o sucesso e a longevidade das empresas familiares dependem da capacidade de alinhar tradição e inovação por meio de um sistema de governança bem desenhado, de um planejamento estratégico consistente e da valorização de talentos (familiares ou não). Quando esses pilares se integram de forma efetiva, a empresa não apenas supera desafios de sucessão, conflitos e impasses do dia a dia, como também se posiciona de modo competitivo e sustentável no mercado, preservando o legado familiar e assegurando o crescimento ao longo das gerações.

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